Ontem fui adicionada a um grupo do facebook, o grupo se chama Olegariano teu braço levante!
Vou explicar, eu fiz o ensino fundamental (primeiro grau) em uma escola pertinho de casa chamada Escola Estadual Olegário Mariano. Olegariano teu braço levante é uma das frases do hino da escola.
Minha relação com o colégio sempre foi positiva, morávamos do outro lado da rua do colégio, do segundo andar dava pra ver as crianças que já estavam lá, matriculadas e estudando, brincando no recreio. Eu queria muito ir pra aula, ter colegas e participar daquela vida escolar! Eu e meus irmãos mais novos, víamos o nosso irmão mais velho indo pra aula todos os dias, e pra nós restava a janela pra ver de camarote o recreio e a educação física! Acho que por isso nunca entendi aquelas crianças que faziam manha, que não queria ficar na escola e choravam e se "esperniavam". Coisa feia!
Então ontem fui surpreendida com o grupo dos Olegarianos, todos lá, cheios de lembranças, contando da vida divertida, das aulas de artes, técnicas domésticas, da horta, do areião, da educação física, do mimeógrafo, dos colegas, das brincadeiras, dos finais de ano, dos dias de chuva, das greves, das ameaças de bomba! De tudo, foi tudo despejado, como um quebra-cabeças misturado com um jogo de memórias, cada um vai vendo e tentando lembrar. Apesar de sermos todos jovens ainda, a memória não está ajudando, mas como é um grupo, cada um contribui com o que lembra e as peças vão se encaixando!
Meu irmão Vicente, o mais velho, que teve a chance de ir antes pro colégio, ontem de madrugada escreveu um texto muito bonito. Bonito mesmo, tenho certeza que cada uma das professoras que deram aula pra ele, se orgulhariam de ler cada uma das palavras. O Vicente sempre foi um bom aluno na época do Olegário Mariano, com ótimas notas e bom comportamento, o que acabava sendo uma cobrança para nós, irmãos que passamos pelas mesmas professoras que tinham muito orgulho de falar do Vicente. Isso não foi ruim viu, era bacana ser a irmã do Vicente que tinha um bom comportamento, ótimas notas, amigo de todos e super participativo.
Pois bem, o texto do Vicente merece um espaço aqui no blog, leiam, acredito que mesmo não estudando no Olegário Mariano, em algum momento você vai se identificar.
Longas férias
As nossas lembranças são como caixinhas de sapato que guardamos na garagem. Vivemos hoje, guardamos na caixinha e colocamos lá no fundo, pois como dizem, não existe nada mais velho e desinteressante do que a novidade de ontem. Vivemos hoje obcecados com o amanhã. O ontem pouco vale e menos ainda serve para qualquer coisa
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A cada dia colocamos mais uma caixinha na pilha. São muitos dias, muitas lembranças, muitas caixinhas. Aos poucos, as memórias da infância, do Olegário, dos colegas, professores... Lentamente vão ficando por trás, por baixo, lá no fundo, esquecidas. Temos tantas e já faz tanto tempo que nem sabemos mais o que temos. Nem lembramos mais o que lembramos ou não.
O tempo passa, viramos adultos e, ao cruzarmos por um olegariano há muito esquecido, ficamos inseguros. Será que é ele mesmo? Será que lembra de mim? Será que ele também tem uma caixinha comigo dentro lá no fundo do porão?
As vezes cumprimentamos, as vezes não. Não é por mal. As caixinhas foram há muito esquecidas e dentro delas as pessoas e os momentos. Mesmo que reviremos tudo e as encontremos, lá dentro há apenas uma criança. Não sabemos que adulto essa criança se tornou. É a vida, afinal, lá se foram vinte anos.
Até que um dia abrimos uma página virtual e somos transportado ao passado. É como se estivessemos no saguão do Olegário em 1991, na volta das férias. Vendo amigos, conhecidos, ex colegas, professores. Todos alegres pelo reencontro, falando do ano passado, dos meses que passaram sem se ver... Só que agora não são 2 meses, são 20 anos! Os filhos de muitos já são mais velhos do que éramos no tempo que estamos relembrando.
Alguém entrou na minha garagem, pegou as caixinhas e jogou todas na minha cabeça de uma só vez! As memórias esquecidas agora são pessoas, vivas e interagindo, aparentemente tão aturdidas e embriagadas quanto eu, com aquilo que um dia foi as suas vidas, mas que hoje é apenas o conteúdo dessas caixinhas.
Este é o mal das lembranças: Elas são fugidias. Desci até a garagem, arredei minhas memórias mais recentes em busca dos momentos que vivemos juntos naquele tempo. Abri as caixinhas e não tinha mais nada dentro. Os momentos foram embora! Mas eu os quero, são meus e os quero todos!
Ledo engano. O único tempo que possuímos de fato é o presente.
Mas inconformado, olhei bem no fundo das caixinhas e percebi que tinha sim alguma coisa. Lembranças. Não são tão vivas nem tão gostosas quanto os momentos que passaram. Algumas morreram de vez, outras estão muito apagadas. Não são tão boas... Na verdade quando penso em como são pequenas perto deles, sinto um pouco de melancolia.
Mas são alguma coisa, são melhores que nada. Lembrar, com certeza é muito melhor do que esquecer. E fazê-lo junto com todos vocês tem um poder tão grande, que é quase como estar lá outra vez!
Quero que saibam olegarianos, que fico muito feliz em poder dividir com vocês esse momento único, que só é possível porque estamos fazendo isso todos juntos."
2 ahhh, comenta aí!:
Conta história quem tem história pra contar!
Eu fico imaginando para as professoras que vivem um ano com 30 alunos mais ou menos, e depois de 20 anos reencontram os alunos.
A vó Ivone seguido encontra os alunos dela e sempre é uma surpresa, esses dias ela me falou com encontrou uma aluna com a filha e a neta!
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